domingo, 10 de dezembro de 2017

A prece

A prece

Pude perceber que o sacrifício que você fez por mim
Não pude retribuir como deveria no nosso fim
Que não importa o quanto eu me entregasse
Não seria suficiente para que alguém levasse

Aquele arrependimento ou ação inoportuna
Que assombra o marujo mais experiente
Quando a tormenta se transborda na mente
A onda se propaga na oração noturna

A prece que não apaga e nem acende
A vela que busca um sopro de resposta
Da necessidade que não se entende
Quando nada mais nos importa

Perdoai aqueles que não se perdoam
Abençoai aqueles que não se doam
Na calamidade de sua própria conduta
Na fragilidade de sua própria luta

Perdoai aqueles que se ajoelham no altar
E ignoram o chamado do navio prestes a afundar
Abençoai aqueles que aceitam a sua trajetória
Inertes e clementes destruindo a sua história

Nunca me perdoei por não te perdoar
Da forma como você me fez sentir
Enquanto repreensão era o que podia dar
Nas escolhas de quem não sabe fingir

O lento naufrágio no mar de ressentimentos
Na mesma tragédia que se consome todo dia
Com os meus erros e incontestes sentimentos
Do dogma que nunca acreditei ser um dia

A liberdade de poder me aprisionar
Na minha vontade de escolher
Um oceano muito distante de você
Do qual eu não possa mais me culpar.


quarta-feira, 15 de novembro de 2017

Pássaro Solitário


                                                            Pássaro Solitário

E suas últimas palavras se foram naquela curva
Retas e secas: "você precisa ser forte agora"
Não foram os estilhaços de vidros mas a água turva
Espalhando-se na pele como sangue de quem vai embora

As marcas de pneus viram cicatrizes na pista da mente
Estou patinando nas estradas da minha própria lembrança
De um cemitério inteiro de cinzas sem esperança
Daqueles que trouxeram cores no preto-branco da vida

Com olhos bem fechados rezo pros fantasmas irem agora
Ou que possa rapidamente encontra-los na próxima esquina
Ainda escuto a freada, os vidros quebrados e seu corpo fora
Com seu suspiro de quem finalmente conseguiu paz

Eu sabia que era inevitável aquele caminho
Não são os vidros que machucam mas a travessia
Caminhar sozinho no escuro da imensidão do dia
Do dia em que tive que saber que estaria sozinho
 
Como o voo do pássaro solitário
Que bate asas contra o vento
Que alimenta-se do amor primário
Que não se corrói pelo tempo
    
No labirinto da saudade e do pensamento
Eu desejo com um pouco de sorte
Que gratidão seja a estação do momento
Que possa ser finalmente forte..




domingo, 15 de janeiro de 2017

Invadindo Almas



Toda vida é preciosa 
Todo corpo é sagrado
Toda atitude deve ser respeitosa
Todo ato não pode ser forçado 

2 minutos de desespero
A vida se despedaça por inteiro 
Em silêncio se nasce um trauma
Qualquer barulho o coração dispara

Quando no beco escuro vive no clarão da mente
Perde-se mais uma alma inocente 
Quando a violência se torna  banal 
O amor se encontra no ponto final

Lá vem a moça com a calça colada
Ela merece ser estuprada 
Lá vem o respeitado machista
Ele parece ser um grande idealista 

Em toda violação sem consentimento
Em toda aprovação que vira constrangimento 
Evapora a pequena chance de mudar o mundo
Nasce um desgosto da vida tão profundo

Há um sentimento de nojo e impotência 
Um replay que insiste em passar
Ajoelhada cumprindo penitência 
Uma fé que insiste em resguardar 

Quando o opressor tem voz e é compartilhado 
Quando um ser humano vira um objeto 
A humanidade perde o sentido a ser encontrado
Quando o descaso faz parte de todo o trajeto 

Naquela esquina não havia uma porta 
Naquela menina havia quem se importa
Eu não quero mais sentir
Ninguém meu corpo invandir.


segunda-feira, 15 de agosto de 2016

The sound of silence




Na escuridão dos meus claros dias
No sorriso que não mais contagia
Nas palavras que não viram frases
Nos julgamentos sem análise

Na oração que não é de alma
Na praia que não acalma
Na luz que não ilumina
Na crença que abomina

Na razão que perde a emoção
Na emoção virando ilusão
Na ilusão que vira rotina
Na rotina que vira rotina

As noites em claro
Os dias escuros
A vida em muros
A esperança um retrato

Um retrato uma lembrança
Uma lembrança uma esperança
A esperança que nunca alcança
O seu lugar nas mãos de criança

A responsabilidade de ser livre
Livre de seus desejos e segredos
Segredos que viram espelhos
Espelhos de seus medos

Os medos que viram sonhos
Em pesadelos rotineiros
O descaso que vira a parte
A maior parte dos meus inteiros

O olhar que nada diz
A mente que contradiz
A fala que se cala
A viagem sem mala

A dor como redenção
A redenção que se rende
Como um óculos sem lente
Distorcendo toda a visão

A dose que não faz efeito
O efeito que anestesia
Anestesia o defeito
O defeito da agonia

Agonia que vira arte
Seu rosto como encarte
A mais bela declaração

Dita no som do silêncio
Uma poesia sem expectativa 
A mais bela explicação...



quinta-feira, 21 de abril de 2016

This is the end



Quando eu entrei jovem pro Ml6
 Eu achei que tinha encontrado meu lar
 Eu tinha o perfeito perfil para servir
 E tudo que precisava fazer era não sentir

 A vida de um agente não existe a gente
 É solitária e acaba mais rápido que ressaca
 Missão atrás de missão apenas dormente
 Sem alegria por vencer e nem medo de morrer

 A frieza, a inteligência emocional e a resistência
 A coragem, a astúcia, a habilidade e a experiência
 Tudo caminhava normalmente entendiante
 Até que fui picado numa Batalha no réveillon

 Eu passei dia após dia e ano após ano
 Sentindo-me estranho mas continuando a andar
 Resistindo o máximo e fazendo os protocolos
 Mas nenhum pode efetivamente me salvar

 Acordei nos escombros da minha mente
 Ajoelhado vi seu rosto entre as nuvens
 Mostrando-me um caminho desconhecido
 Aonde o que importa está no que se sente

  Quando me vi realmente infectado
  Eu descobri um novo lugar para viver
  Aonde encontrei um pouco de paz
  E um monte de sensações que comecei a ter

 Não sabia que era nervoso
 Até ter tentar falar com você
 Não sabia que era ansioso
 Até ficar sem ver você

 Não sabia o que era ser ciumento
 Não sabia mais o que era sentimento
 Não sabia mais como era estar vivo
 Ficar feliz sem nenhum motivo

  Me tornei refém de um sorriso
  Me tornei bobo,  tolo e sentimental
  Deixei de ser agente, para pensar na gente
  Alguém que quer te proteger de todo o mal

  Enfim você desperta o melhor que há em mim
  Me faz saltar sem medo de um precipio sem fim
  Conseguiu me despir de toda a minha amardura
  Fez a tragédia virar uma doce aventura!





segunda-feira, 21 de março de 2016

O grito





 Amigo Scott depois de tantos anos
Depois de tantos e tantos planos
Tantas promessas e tentativas
Tantas perguntas a serem respondidas

Tantos recomeços abortados de primeira
Tantas quedas nos fizeram rastejar
Tanta hipocrisia nos fizeram acreditar
Tanta esperança de superar

Tantas voltas ao mesmo lugar
Tantas memórias e tantas dores
Tanto silêncio e tanto desprezo
Tanto orgulho e tantos desabores

Tantos corpos encontrados pela estrada
Tanto sangue manchado nas nossas mentes
Tantas batalhas e tantas vidas ceifadas
Tantos atestados que somos dementes  

Tanto julgamento que ficamos presos
Tantos conceitos que nos limitam
Tantos modelos que eles imitam
Tanto conselho que nunca foi desejo

Tantos amigos que ficaram para trás
Tanta tristeza por acordar
Tanto só hoje e nunca mais
Tanto para sempre que jamais

Tanta lembrança que nunca existiu
Tanta palavra para ser dita
Tanta coisa para ser vivida
Tanta tragédia que a gente viu

Tanta abstinência para ficar vivo
Tanto sacrifício para não mudar
Tanto vício que nos faz respirar
Tanta sobriedade para ocultar

Tanto amanhã que não deveria existir
Tanta química que simula a calma
Tanta guerra que vende a alma
Tanta vontade que venha o partir

Tantos e tantos para tão poucos
Quantos e quantos estão no fundo do poço
No fim era nosso fim na próxima porta
O grito que ninguém escuta e se importa.


domingo, 5 de abril de 2015

I Hate Myself and I Want to Die


I Hate Myself and I Want to Die

Eu também a conheci aos 27
Vestida de preto e reluzente
Quando nada mais era suficiente
Ela me fez de sua marionete

Ela era meu ouvido amigo
Ela não ria dos meus defeitos
Nas crises ela era meu abrigo
Era meu pretérito mais que perfeito

Ela era o vazio que me completava
Nas noites de pesadelos reais
Ela era a anestesia que me acalmava
Quando não precisava sentir mais

Quantas vezes eu rastejava até seus braços?
Quantas vezes ela era o destino do meu descaso?
Quando as sombras da dúvida são o que permanecem
Não há muitas coisas nessa vida que envaidecem

Alguns conseguem ir mais além e são julgados
Por aqueles cuja empatia nunca foi prioridade
Eu também quase fiz esse caminho sem volta
Eu não sei o porquê estou aqui, isso importa?

Kurt, Layne e tantos outros, tantas histórias
Que nosso egoísmo transformaram em pó
Nos faltará desatinar o terrível nó
De fazer o nosso melhor pros outros.