segunda-feira, 21 de março de 2016

O grito





 Amigo Scott depois de tantos anos
Depois de tantos e tantos planos
Tantas promessas e tentativas
Tantas perguntas a serem respondidas

Tantos recomeços abortados de primeira
Tantas quedas nos fizeram rastejar
Tanta hipocrisia nos fizeram acreditar
Tanta esperança de superar

Tantas voltas ao mesmo lugar
Tantas memórias e tantas dores
Tanto silêncio e tanto desprezo
Tanto orgulho e tantos desabores

Tantos corpos encontrados pela estrada
Tanto sangue manchado nas nossas mentes
Tantas batalhas e tantas vidas ceifadas
Tantos atestados que somos dementes  

Tanto julgamento que ficamos presos
Tantos conceitos que nos limitam
Tantos modelos que eles imitam
Tanto conselho que nunca foi desejo

Tantos amigos que ficaram para trás
Tanta tristeza por acordar
Tanto só hoje e nunca mais
Tanto para sempre que jamais

Tanta lembrança que nunca existiu
Tanta palavra para ser dita
Tanta coisa para ser vivida
Tanta tragédia que a gente viu

Tanta abstinência para ficar vivo
Tanto sacrifício para não mudar
Tanto vício que nos faz respirar
Tanta sobriedade para ocultar

Tanto amanhã que não deveria existir
Tanta química que simula a calma
Tanta guerra que vende a alma
Tanta vontade que venha o partir

Tantos e tantos para tão poucos
Quantos e quantos estão no fundo do poço
No fim era nosso fim na próxima porta
O grito que ninguém escuta e se importa.


domingo, 5 de abril de 2015

I Hate Myself and I Want to Die


I Hate Myself and I Want to Die

Eu também a conheci aos 27
Vestida de preto e reluzente
Quando nada mais era suficiente
Ela me fez de sua marionete

Ela era meu ouvido amigo
Ela não ria dos meus defeitos
Nas crises ela era meu abrigo
Era meu pretérito mais que perfeito

Ela era o vazio que me completava
Nas noites de pesadelos reais
Ela era a anestesia que me acalmava
Quando não precisava sentir mais

Quantas vezes eu rastejava até seus braços?
Quantas vezes ela era o destino do meu descaso?
Quando as sombras da dúvida são o que permanecem
Não há muitas coisas nessa vida que envaidecem

Alguns conseguem ir mais além e são julgados
Por aqueles cuja empatia nunca foi prioridade
Eu também quase fiz esse caminho sem volta
Eu não sei o porquê estou aqui, isso importa?

Kurt, Layne e tantos outros, tantas histórias
Que nosso egoísmo transformaram em pó
Nos faltará desatinar o terrível nó
De fazer o nosso melhor pros outros.




domingo, 14 de dezembro de 2014

James Bond

James Bond
                                                     
Sentado na cama confiro a arma e as balas
Ajusto o terno e a barba, saio sem malas
Por que malas são como lembranças passadas
Até as memórias para levar são pesadas

Para partir é preciso se libertar
Dos sentimentos, das pessoas e do medo
E não há tempo para se lamentar
Essa vida foi feita para não pensar

Tudo o que se demonstra é fraqueza
Eu fui treinado durante toda a vida
A permanecer a luta sem expor a ferida
Não há remorso e não há tristeza

Ir em frente sem olhar para trás
Enquanto o céu se despedaça
Cumprir a missão e não desistir jamais
Enquanto tudo for desgraça

Na guerra apenas duas coisas são importantes
Para quem apontar a arma e a quem proteger
Mas tudo pode se inverter em instantes
Confiar é lembrar o que se deve esquecer

Apertar o gatilho é como a palavra dita
Só me lamento se for oportunidade perdida
Todo sorriso esconde uma armadilha
Todo oceano esconde uma ilha

Não sou herói ou vilão, apenas um agente
Que têm missões e ilusões como muita gente
Que tira a força não se sabe de onde
Mas meu nome é Bond, James Bond!


segunda-feira, 20 de outubro de 2014

O verdadeiro poeta

 O verdadeiro poeta
O verdadeiro poeta
                                                            Dia do Poeta, dia dos libertos
Preso às rimas e aos sentimentos
Os escravos falando sobre alforria
Os réus sonhando com julgamentos

Nós somos escravos das nossas sensações
Dos nossos pontos vistas e nossas posições
Agimos como se fôssemos os únicos no mundo
Como se a verdade brotasse de nossas palavras

E nesse mundo repleto de tanto faz
Poucos podem ser considerados especiais
Aqueles que abdicam da sua liberdade
Para conceder a outrem a felicidade

Alguns vivem atrás de suas próprias celas
Algemados pela soberba, egoísmo e/o ilusão
Atados pelos seus próprios nós e seus desatinos
Acima de qualquer um,"criadores" dos seus destinos

Alguns vivem para transcender essa vida
Poetas que escrevem com seus atos sua poesia
Que servem de exemplo no seu dia-a-dia
Àqueles que amam plenamente quem os julga 

Que se doam àqueles nunca deram nada
Que perdoam àqueles que nunca tiveram paz
Àqueles que fazem sem querer nada em troca
Que servem àqueles que não tiveram mais

Eu queria ser um poeta como Mandela
Agregar ao invés de segregar
Perdoar plenamente ao invés de vingar
Mas somos todos escravos em nossas senzalas!


"Ninguém nasce odiando outra pessoa pela cor de sua pele, por sua origem ou ainda por sua religião. Para odiar, as pessoas precisam aprender, e se podem aprender a odiar, podem ser ensinadas a amar".

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Feliz idade


Feliz idade
Eu não tenho a receita de felicidade
Nem tenho mesmo controle sobre o tempo
Todos procuram um e querem mais do outro
A felicidade é um estado, não um sentimento

Não se procura, não se vende e não se acha em outro
É uma soma das loucuras e realizações versus decepções
É o quanto se consegue sorrir com o que me falta
É o quanto eu cultivo e vivo ardentemente minhas paixões

É o viver com meus próprios erros e redescobrindo novos
É o saber que não se sabe nada, que ninguém é perfeito
É o conviver com as diferenças e que todos merecem respeito
É fazer sorrir aqueles que choram e perdoar o imperdoável

É acreditar que posso mudar o mundo, começando por mim
É ser sincero, sem ser grosso! É ter uma boca mas 2 ouvidos
É aceitar que tudo tem seu tempo, desfrutando o momento
É fazer do tempo que me resta, um tempo sem fim

O tempo é um presente, não o presente ou um calendário
Que marca datas, mágoas, dias, anos e o meu aniversário
Ser feliz é aceitar que o tempo é como um oceano
Eu não posso segura-lo, apenas utilizar a sua correnteza!

terça-feira, 17 de junho de 2014

Contradição


         Há 8 anos escrevia essa poesia, acho que ela continua representando muito o que sou. Por mais que o tempo passe e muita coisa mude, essa é minha essência!
         Acredito que a arte é um dos poucos caminhos livres que posso seguir e eu posso demonstrar também (apesar de não postar aqui, talvez reveja isso!) esse lado mais suave, divertido e sarcástico da poesia!

03/02/2006
Contradição

Você só queria apenas alguns abraços
Só te dei garrafas vazias e uns maços
Você queria que fosse inteligente e maçom
Eu só quero ter o equilíbrio do garçom

Você queria que eu nunca saísse de casa
Mas a casa ficou pequena para minhas asas
Você queria que fosse um coroinha
E eu só transava com nossas vizinhas

você queria que me tornasse num político
Eu fiz uma mp para acabar com os pinicos
Você queria que me tornasse um doutor
Hoje eu sou phd em sabores de licor

Você sempre quis controlar meus passos
Eu sempre tentei fugir dos teus laços
Você queria que escutasse Roberto e Erasmo
Eu escuto Pearl Jam para sair do marasmo

Você quis que eu me alistasse à junta militar
Mas eu servi todos os dias numa mesa de bar
Você quis criar todos os meus sonhos
Eu sempre quis deixar de ser medonho

Você quis que eu fosse educado e hospitaleiro
Todo mundo na família fala que sou cachaceiro
Você desejou que tua nora fosse dama de primeira
Ela anda de preto, arrota e parece metaleira

Você sempre quis que eu fosse pro céu
Mas todos meus caminhos me levam ao motel
Você queria que te pintasse como a lua
Mas minha arte é cantar nu pela rua

Eu só quero voar pelas minhas próprias asas
Crio meus sonhos sem hora para voltar pra casa
Faço da alforria do tempo, a minha liberdade
Faço de cada momento, minha felicidade.

Because it's evolution baby!!!

terça-feira, 27 de maio de 2014

Meu Jeito

 Meu jeito
Meu Jeito
                                                                                                                                

Em uma noite qualquer e bastante chuvosa
Amigavelmente na última batida do sino
Eu sinto que a morte chega para uma prosa
Aquela escolha que sela o meu destino

Estou certo que no amanhecer haverá saudade
E eu sei bem como é isso desde os 7 anos
Mas agora não há o que temer, apenas serenidade
Eu nunca fui de pedir clemência para esses "planos"

Eu estou certo o quão no fim todos somos iguais
Revendo escolha por escolha, erro por erro
Os sonhos que ficaram para trás ano após ano
O quão eu abri mão das coisas fundamentais

Para satisfazer e fazer feliz um alguém
Que no outro mês era um pleno desconhecido
E quantos também eu transformei em ninguém
O desconhecido vira sinônimo de descabido

Quantas vezes descabidamente eu chorei?
Quantas vezes desesperadamente eu sorri?
Quantas vezes eu apenas me arrependi?
Quantas vezes de tantas vezes eu errei?

Mas em todas essas vezes eu pedi desculpa
Nem que o travesseiro tenha escutado tal confissão
Em todas as vezes que senti essa culpa
Eu regressava para a insonia e a tal solidão

E no fim todos seguimos esse caminho
Eu pela teimosia construí essa estrada
Por vezes no vale das sombras sozinho
Por outras com uma alegria danada

Eu fiz tudo isso do meu jeito
Por vezes certo, por vezes errado
Eu quero levar no meu peito
A alegria de viver isso escancarado

A vida é uma montanha russa de sensações
Eu amei o suficiente para entender
Que jamais se despreza qualquer ser
Porque nunca haverá tais razões

No final nada realmente importa
A casa, o carro, o conhecimento
Ao atravessar aquela porta
Só posso levar o meu sentimento.